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28 de Março de 2020

O fundo do poço da Advocacia: revoltar-se ou fazer alguma coisa?

Ricardo Orsini, Administrador
Publicado por Ricardo Orsini
há 4 anos

Muitos têm visto com indignação essa nova leva de Advogados que vem sendo despejada no mercado que, com seus preços, tem jogado lama na reputação e dignidade de toda uma categoria de profissionais.

Recentemente, uma postagem que tem ganhado as redes sociais, acompanhada de um clamor indignado para que se tomem providências, que se fiscalize, exigindo uma posição da OAB.

O Advogado de 5 Reais

Na imagem que posto abaixo, um escritório parece ter levado os honorários da Advocacia ao fundo do poço: R$ 5,00 (cinco reais) por uma petição.

Isso mesmo: 5 reais!

O fundo do poo da Advocacia revoltar-se ou fazer alguma coisa

Por mais que isso seja, de fato, revoltante, essa situação é um sinal de que muitos advogados deveriam estar mais preocupados do que revoltados.

Considerando que a OAB não tem estrutura para fiscalizar todos estes casos, e percebendo que a tendência desse mercado saturado e com uma restrita visão de mercado será a de gradativa redução dos honorários praticados, o que resta a ser feito?

Tentar concorrer com esta fatia do mercado jurídico, que presta serviços de baixa complexidade e pratica preços incompatíveis com um escritório com um mínimo de estrutura parece uma péssima estratégia.

Uma vez que preços aviltantes estejam ancorados na cabeça do consumidor, cobrar 2 mil reais para defender um cliente neste mercado será praticamente impossível.

Advocacia é um mercado sem saída?

Ocorre que muita gente tem vendido a ideia de que o mercado da Advocacia está indo para o fundo do poço, e que não há mais alternativa, a não ser deixar a Advocacia.

É neste ponto que cabe uma reflexão, num ponto de vista mais mercadológico.

Ninguém pode negar que o mercado jurídico é muito amplo, e recheado de oportunidades de negócios.

Muitas destas oportunidades não são devidamente aproveitadas, principalmente pelo pequenos, por vários motivos:

  • Falta de visão de mercado adequada;
  • Falta de conhecimento de negócios, de gestão, de marketing
  • por que a maioria está tomada por uma advocacia que se obriga a brigar por preço, não tendo tempo de construir diferenciais relevantes para um outro tipo de público.

Como ocupar fatias de mercado que, num senso comum bastante difundido na Advocacia, são reservadas apenas às grandes bancas?

Qual é a saída para os Advogados que não querem deixar a tão nobre profissão e, por outro lado, não querem competir com um mercado em franca decadência, praticando preços insustentáveis no longo prazo?

A saída está no reposicionamento

O fundo do poo da Advocacia revoltar-se ou fazer alguma coisa

Dizer que parte do mercado de Advocacia está ruim, não quer dizer que todo ele esteja ruim.

O mercado jurídico ainda é um oceano de grandes oportunidades ainda não desbravadas (nem pelos grandes, nem pelos pequenos).

Não é necessário abandonar a Advocacia! A saída está no reposicionamento de mercado.

Reposicionamento é a estratégia de realinhamento estratégico, em virtude de uma mudança de mercado, principalmente a mudança de percepção do cliente.

Para atingir as melhores oportunidades na Advocacia, é preciso estar consciente de que esta estratégia deve ser feita de forma profissional.

Nesta hora, nada de amadorismo, que venha te nivelar com o mercado do qual está tentando fugir.

Gestão, desenvolvimento de negócios e marketing jurídico devem ser prioridades.

O escritório de pequeno porte tem vez?

Com a Internet, surgiram duas opções de profissionalização e ampliação para os pequenos escritórios.

De um lado, a possibilidade de ampliar geograficamente as fronteias de atuação, através do atendimento virtual.

Para prestar serviço a um cliente, mesmo de contencioso, não é mais necessário ter sede na mesma região.

Isso vai possibilitar ampliar o leque de clientes potenciais para construir uma carteira mais consistente, não só do ponto de vista profissional, mas do tipo de cliente desejado para este tipo de mercado.

Por outro lado, para viabilizar estratégias mais robustas e assumir os custos do investimento de tempo e dinheiro em gestão e marketing, a Internet oportuniza novos modelos de parceria com outros escritórios, sem a necessidade de compartilhar o espaço físico.

O fundo do poo da Advocacia revoltar-se ou fazer alguma coisa

Se há um tempo, a única maneira de implementar uma parceria era através da constituição de uma sociedade de Advogados, hoje vemos formatos mais tênues de parceria, que aproximam os escritórios de advocacia à realidade das offshores:

  • Advogados liberais se unem para criar e alimentar de conteúdo um site voltado para o direito de um determinado público-alvo;
  • Diferentes sociedades se unem para criar um Instituto e investir no marketing educativo;
  • Escritórios de áreas de atuação distintas se unem num grupo de estudos para criar teses e produtos jurídicos que garantam um suporte melhor aos seus clientes;
  • Advogados se unem para dar palestras num evento online;
  • Escritórios de pequeno porte se unem para financiar a contratação de uma consultoria especializada em gestão para aumentar a produtividade e prestar um melhor serviço.

Até então, vista apenas como uma ferramenta de apoio, a Internet tem assumido um papel de maior destaque na realidade de pequenos escritórios e profissionais liberais.

É preciso pensar fora da caixa e assumir uma postura de inovação e empreendedorismo na Advocacia.

Estratégias que, no passado, funcionaram para os grandes, já não funcionam para os que ingressam no mercado ou ainda não consolidaram a sua marca.

Tudo mudou: percepção de valor dos clientes, os preços, os serviços, os sistemas e a maturidade do mercado.

Quem não se reposicionar para um mercado de melhores oportunidades, vai ter que brigar por preço no varejão do contencioso que tanto avilta os honorários.

Enfim, vai ter que se nivelar por baixo!

Confira nossas dicas de marketing, gestão e negócios na Advocacia noBlog Advocacia in Foco.

16 Comentários

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Bem, como o próprio autor do artigo menciona, há um "Mercado Jurídico" no Brasil. Isso mesmo: um "mercado". Primeiramente, deve-se ter noção do que significa um "mercado", e como ele funciona. Clamar pela OAB para intervir no "mercado jurídico" é como clamar à CDL de uma cidade para reclamar do preço baixo que seu concorrente lojista pratica pela mesma mercadoria ou serviço. Como diria Adam Smith e toda corrente liberal, o mercado regula o próprio mercado pela concorrência.
Porém, vejo a culpa disso no fato deste mercado jurídico ser "lucrativo". Isso certamente chama a atenção da população, que, numa cultura capitalista, brilha os olhos por lucro. Deseja-se mais o lucro do que o exercício competente de uma função essencial no Direito. Consequência disso também são faculdades de Direito cada vez mais lotadas de alunos, os quais, em busca da lucratividade advocatícia, inunda o mercado autônomo/privado e o público. Mesmo que a OAB torne os cursos mais de difícil acesso e a prova da ordem ainda mais complexa, ou limite uma série de liberdades dos profissionais, isso não passaria de "protecionismo" da categoria e tentativa de oligopólio, ou cartel (usando a linguagem mercadológica, já que falamos de um mercado jurídico). A única alternativa que vislumbro é ser um profissional raro (competente, habilidoso, persistente, atencioso, sensível e interessado no cliente: assim como lojas e empresas, fidelizar e aumentar sua clientela). continuar lendo

Eu só vejo advogados preocupados com o valor dos honorários dos outros.
Nunca vi médicos questionando consultas pelo valor de R$10,00; nem pedreiros, auxiliares de pedreiros.
Quem quer pagar apenas R$12,00 por uma Petição Inicial nunca irá pagar o valor dos honorários da OAB.
Já pensaram que o sujeito cobra justamente o que ele vale?
Engraçado que o meu colega tributarista, cuja hora vale R$300,00; nunca reclamou dos advogados a varejo.
Eu reclamo justamente da OAB, esta organização criminosa que não serve para nada e leva anualmente R$1000,00.
Viveria muito bem sem ela. continuar lendo

A advocacia no Brasil está caminhando para sua aniquilação... classe desunida... um querendo ferrar o outro... trevas... trevas. continuar lendo

A matéria na verdade interessa pela falta de ética praticada sem nenhum compromisso da OAB em reprimir e da própria classe em denunciar. O reflexo é que as empresas não querem pagar o mínimo da tabela da OAB a advogados qualificados, que acabam se sujeitando por questão de sobrevivência a um mercado cada vez mais competitivo - basta ler os anúncios de empregos para advogados (tem que saber inglês, computação, ter carro próprio, trabalhar como PJ e adiantar as despesas para depois recebê-las, arcar com anuidade de classe alta e obrigatória). Então como sobrar para maior qualificação ? Há sim um empobrecimento da classe e uma concentração de grandes escritórios em setores mais lucrativos . continuar lendo