jusbrasil.com.br
18 de Novembro de 2017

Gestor ou Advogado: qual a prioridade para organizar meu escritório?

Entre a opção de advogar e fazer a gestão do escritório, existe uma solução possível que não penalize o escritóri

Ricardo Orsini
Publicado por Ricardo Orsini
há 4 dias

É possível fazer a gestão do escritório de advocacia e, ao mesmo tempo, advogar? Misturar as duas atividades não vai me tomar mais tempo do que o disponível? Farei bem as duas atividades se organizar o meu tempo ou perderei o foco se misturar as duas coisas?

Se estamos falando de uma advocacia ainda incipiente, de poucos clientes e baixa complexidade, daí não teremos problemas maiores.

O problema é que ninguém quer continuar pequeno para sempre.

Chega uma hora em que atividades de gestão vão começar a atrapalhar as atividades advocatícias.

Não será possível, ao mesmo tempo, cumprir os prazos, acompanhar os processos, da feedback aos clientes, ir ao fórum, fazer diligências e audiências, pagar contas no banco, fazer lançamentos financeiros no sistema, cuidar dos problemas de TI, organizar as atividades de marketing, etc.

Não é preciso muitos clientes para a coisa começar a se complicar.

E o que fazer neste momento?

Vejo pelo menos duas saídas práticas, a depender do porte e capacidade de assunção de risco da banca.

Contratar um gestor profissional

A primeira saída é contratar um gestor profissional.

Ele assumirá a coordenação de todas as atividades não jurídicas da banca, e auxiliará na organização dos processos de produção jurídica, tais como controle de prazos, atendimento a clientes, definição e controle de processos (fluxos) de trabalho, gestão de pessoas, etc.

Essa é a função que algumas bancas têm chamado de controladoria jurídica (ainda que eu, pelo menos em parte, discorde).

A vantagem imediata de se contratar um gestor é a profissionalização da atividade do escritório, com um ganho potencial de produtividade e efetividade.

Por outro lado, essa solução traz os mesmos riscos de qualquer outra contratação:

  • dificuldade de adaptação do profissional contratado;
  • turn over;
  • conflito entre as soluções apresentadas pelo gestor e as expectativas dos sócios;
  • aumento considerável do custo fixo do escritório.

Um dos sócios assume as atividades de gestão

Outra saída é um dos sócios ou advogado assumir as atividades de gestão.

Apesar de não ser uma saída profissional, o advogado que assumir essa função pode se adaptar com mais facilidade à rotina e sistemática do escritório.

E o fato de não ser um profissional de gestão pode ser compensado por um bom treinamento, através de cursos, consultoria e estudo.

O problema, aqui, é que o Advogado que assume atividades de gestão, deixa de lado a participação na estrutura de receitas do escritório.

Penso ser pouco provável um Advogado trocar um pró-labore médio de um gestor legal (de 4 a 6 mil reais) pela possibilidade de auferir os honorários da banca.

Isso considerando que a banca tenha um bom faturamento, pois, caso contrário, não conseguirá pagar o pró-labore médio ao advogado gestor.

Como resolver este impasse?

Participação nos honorários

Para o gestor não se sentir excluído da atividade financeira do escritório, caso ele seja um parceiro advogado, é necessário estabelecer formas de participação nos honorários auferidos.

Por exemplo, o advogado gestor, para viabilizar o trabalho de todos os advogados da banca, passa a ganhar um percentual fixo dos honorários.

Seria como um trabalho comissionado.

Há, ainda, uma saída mais complexa (mas, mais justa) do pagamento por produtividade.

Essa é uma saída para escritórios que lidam com casos de complexidade diversa, que ensejaria a divisão de honorários conforme o caso.

Aqui, temos uma lista das atividades necessárias para viabilizar a prestação de serviço, incluindo as atividades do gestor, dos auxiliares ou paralegais, e do advogado, cada uma com uma pontuação específica.

Vamos pensar num exemplo intuitivo (pontuação de 1 a 5 conforme a complexidade da atividade executada):

  • Atender o cliente (4)
  • Cadastrar o cliente (1)
  • Precificar o serviço (3)
  • Negociar com o cliente (4)
  • Elaborar procuração e contrato (2)
  • Pesquisa da tese (4)
  • Elaboração da peça (5)
  • Revisão da Peça (3)
  • Pagamento de guias (1)
  • Protocolização (2)

Ao final do processo (ou de cada pagamento por parte do cliente), essa pontuação pode ser usada para estabelecer as porcentagens de cada advogado nos honorários auferidos, além de ser útil também nos processos de avaliação dos colaborares e para o plano de progressão de carreira (caso o escritório opte por isto).

4 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Segundo Peter Druker todo empreendimento precisa de gestão forte e dedicada e o perigo reside no fato de muitos profissionais acumularam a função de gestão administrativa e sua área fim e por vezes não são capazes...

Na advocacia essa celeuma não é diferente, entretanto ter um profissional de marketing, um administrador, um contador, um profissional de TI, estagiários, secretaria, entre outros não é uma realidade para muitos de nós... continuar lendo

Obrigado pelo seu comentário! Concordo com você, Maysa. A advocacia é uma atividade liberal, e muitos querem manter seus custos fixos baixos para fazer frente a uma margem de lucro mais razoável, em virtude da incerteza da aquisição de clientes. Por isso, a dificuldade em assumir a contratação de um gestor. E, também por isso, a saída alternativa e provisória de assumir a gestão de forma dedicada em parceria com outros advogados. continuar lendo

Bom, primeiro eu gostaria de saber, se você não chama de Controladoria Jurídica, qual nome você dá a essa "área/atividade"?
Um profissional do direito é mais competente para isso quanto um profissional de gestão ?
Quais serias as competências necessárias para um gestor ser contratado? E quais seriam as novas competências que o profissional de advocacia teria que ter para desempenhar bem tal função?

Obrigado. continuar lendo

Olá Gabriel, boa tarde. Obrigado pelos questionamentos. 1. Essa área tem sido chamada por consultores e gestores de "gestão legal". Ela se difere da controladoria, que é uma atividade focada na produção jurídica propriamente dita, não abarcando outras áreas como o planejamento, desenho, controle e acompanhamento de estratégias de negócios e de marketing. Mas, esses são detalhes teóricos que, na prática, acabam se diluindo em função de diferentes contextos e configurações das equipes. 2. Um profissional de gestão certamente tem mais competência do que um profissional jurídico. Mas, como disse no artigo, o gestor pode entrar em conflito com uma cultura corporativa mais conservadora (como é, normalmente, no mundo jurídico). Para evitar esse conflito, acredito que se um ADvogado da banca assumir a função de gestor, num primeiro momento, seria mais interessante. Conforme o negócio se desenvolve, se avalia o custo-benefício da contratação de um profissional de gestão. 3. Sobre as competências do gestor, remeto à leitura do artigo https://blog.softwareavaliacao.com.br/competencias-para-avaliar/. 4. Sobre as novas competências que o profissional de advocacia teria que ter para desempenhar bem tal função, remeto à leitura do mesmo artigo. Espero ter ajudado!!! Abraço! continuar lendo